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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PROTESTO CONTRA NOVA CHACINA NA BAIXADA!!!

DIOCESE DE NOVA IGUAÇU REPUDIA CHACINAS DE MESQUITA E JAPERI E CONVIDA TODA A SOCIEDADE À CAMINHADA E CELEBRAÇÃO ECUMENICA PELA PAZ E CONTRA A VIOLENCIA.
A Diocese de Nova Iguaçu quer, por intermédio dessa carta, solidarizar-se com as famílias dos jovens assassinados nas duas chacinas ocorridas nos Municípios de Mesquita e Japeri, nos dia 8 e 9 de setembro, e repudiar fortemente mais esses atentados contra a vida dos jovens da Baixada Fluminense.

As medidas que o Estado vem adotando para combater a violência têm sido insuficientes, pois a problemática extrapola a questão da Segurança Pública, já que esta deve vir acompanhada de políticas sociais que beneficiem com especial atenção as áreas carentes de nossos Municípios.

As diversas manifestações de violência que atropelam a dignidade da nossa população demandam políticas públicas eficazes que contemplem o desenvolvimento integral da população e ofereçam oportunidades de superação sociocultural aos jovens das áreas populares dos Municípios da Baixada. Nossa população não aguenta mais continuar sendo vítima de atos de violência com requinte de crueldade por grupos de criminosos que apostam na impunidade e que se acham donos do destino das pessoas. E se pergunta, até quando vamos nos reunir para chorar as vítimas da violência na Baixada? Como Diocese, reafirmamos nosso compromisso em favor da vida e da juventude que só quer viver com dignidade. Inspirados no princípio da paz com justiça, conforme os ensinamentos de Jesus e da Igreja, assumimos o desafio de colaborar com todos os esforços e iniciativas a favor da construção de uma cultura de paz e de respeito à vida. Renovamos o compromisso com a dignidade humana e fortalecemos a esperança em uma sociedade mais fraterna e sem ódio onde todos tenham garantido o direito às mesmas oportunidades e a uma vida com dignidade. Demandamos das autoridades competentes políticas de Estado que contemplem igualmente todos os Municípios do Estado do Rio de Janeiro, e a aplicação da justiça e a punição dos responsáveis desses crimes hediondos que atentam contra a vida de toda a população.

Nesse momento de revolta e dor, a Diocese de Nova Iguaçu convida as igrejas e todas as forças vivas da sociedade civil com suas autoridades a manifestarem nossa solidariedade às famílias dos jovens assassinados, e a repudiarem fortemente mais este ato de covardia, participando da CAMINHADA PELA PAZ com o lema: “Os Jovens querem viver”!

Dia: domingo 16 de setembro de 2012-09-12
Horário: 15:00
Local: Concentração na Praça Senhor Canário, rua Salgado Filho, Olinda, de onde partirá a caminhada pela rua Salgado Filho até Gericinó, onde haverá uma celebração ecumênica.

Separados somos fracos, mas unidos nos tornamos fortes. É por meio da fé no Deus da Vida e da nossa união que poderemos alcançar dias melhores de Justiça, Paz e Fraternidade em nossa Baixada.
Dom Luciano Bergamin, Conselho Presbiteral, Comissão de Fé e Caridade e profissionais da UFRRJ e UFF.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O AFETO À DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO BRASILEIRA

Para um entendimento das potencialidades e formação cultural brasileira para o afeto à diversidade.

A IGNORÂNCIA DA DIVERSIDADE - POR MUNIZ SODRÉ.

sábado, 24 de março de 2012

"IGNORADOS": O "PINHEIRINHO" DO CABRAL E EIKE BATISTA

“Ignorados” (o "Pinheirinho" do governador Cabral e Eike Batista no Rio de Janeiro) - Um fragmento das atrocidades cometidas na região do Açu, 5º Distrito de São João da Barra, RJ.

Documentário realizado pela Coordenação de Extensão e Núcleo de Criação Audiovisual do Polo Universitário de Campos dos Goytacazes - UFF
UFF Campos.

Direção, Roteiro, Trilha Original e Montagem: Alexandro C. Florentino (Alexandro F.)
Pesquisa e Produção: Professora Ana Maria Almeida da Costa

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O TERRORISMO DE ESTADO E TRAUMA EM PINHEIRINHO,

Esta é a melhor edição sobre Pinheirinho que vi até agora. O movimento popular está dominando melhor essas técnicas. Estes relatos, e imagens, são um dos melhores exemplos do que é terrorismo de Estado, controle, limpeza étnica e social pelo trauma e censura das informações pelas corporações de mídia. - http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=NBjjtc9BXXY




Bom artigo da Raquel. Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada. http://raquelrolnik.wordpress.com/ -
"Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!"
23/01/12 por raquelrolnik

"A luta pela Constituição Federal de 1988 e a regulamentação de seus artigos 182 e 183, que gerou o Estatuto da Cidade, se inspirou, em parte, na possibilidade de utilizar imóveis vazios em centros urbanos antigos para moradia social. Nessas áreas ditas “deterioradas” está a única alternativa dos pobres vivenciarem o “direito à cidade” pois de um modo geral, eles são expulsos para fora da mesma. Executivos e legislativos evitam aplicar leis tão avançadas. O judiciário parece esquecer-se de que o direito à moradia é absoluto em nossa Carta Magna enquanto que o direito à propriedade é relativo, à função social. (Escrevo essas linhas enquanto decisão judicial autorizou o despejo –que se fez de surpresa e de forma violenta- de mais de 1.600 famílias de uma área cujo proprietário – Naji Nahas - deve 15 milhões em IPTU, ao município de São José dos Campos. Antes de mais nada, é preciso ver se ele era mesmo proprietário da terra, já que no Brasil, a fraude registraria de grandes terrenos é mais regra que exceção, e depois verificar se ela estava ou não cumprindo a função social)." (Ermínia Maricato). Fonte - http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5427

Juristas e entidades comprometidos com a democracia denunciam caso Pinheirinho à OEA

Manifesto pela denúncia do caso Pinheirinho à Comissão Interamericana de Direitos Humanos

No dia 22 de janeiro de 2012, às 5,30hs. da manhã, a Polícia Militar de São Paulo iniciou o cumprimento de ordem judicial para desocupação do Pinheirinho, bairro situado em São José dos Campos e habitado por cerca de seis mil pessoas.

A operação interrompeu bruscamente negociações que se desenrolavam envolvendo as partes judiciais, parlamentares, governo do Estado de São Paulo e governo federal.

O governo do Estado autorizou a operação de forma violenta e sem tomar qualquer providência para cumprir o seu dever constitucional de zelar pela integridade da população, inclusive crianças, idosos e doentes.

O desabrigo e as condições em que se encontram neste momento as pessoas atingidas são atos de desumanidade e grave violação dos direitos humanos.

A conduta das autoridades estaduais contrariou princípios básicos, consagrados pela Constituição e por inúmeros instrumentos internacionais de defesa dos direitos humanos, ao determinar a prevalência de um alegado direito patrimonial sobre as garantias de bem-estar e de sobrevivência digna de seis mil pessoas.

Verificam-se, de plano, ofensas ao artigo 5º, nos. 1 e 2, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José), que estabelecem que toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica e moral, e que ninguém deve ser submetido a tratos cruéis, desumanos ou degradantes.

Ainda que se admitisse a legitimidade da ordem executada pela Polícia Militar, o governo do Estado não poderia omitir-se diante da obrigação ética e constitucional de tomar, antecipadamente, medidas para que a população atingida tivesse preservado seu direito humano à moradia, garantia básica e pressuposto de outras garantias, como trabalho, educação e saúde.

Há uma escalada de violência estatal em São Paulo que deve ser detida. Estudantes, dependentes químicos e agora uma população de seis mil pessoas já sentiram o peso de um Estado que se torna mais e mais um aparato repressivo voltado para esmagar qualquer conduta que não se enquadre nos limites estreitos, desumanos e mesquinhos daquilo que as autoridades estaduais pensam ser “lei e ordem”.

É preciso pôr cobro a esse estado de coisas.

Os abaixo-assinados vêm a público expor indignação e inconformismo diante desses recentes acontecimentos e das cenas desumanas e degradantes do dia 22 de janeiro em São José dos Campos.

Denunciam esses atos como imorais e inconstitucionais e exigem, em nome dos princípios republicanos, apuração e sanções.

Conclamam pessoas e entidades comprometidas com a democracia, com os direitos da pessoa humana, com o progresso social e com a construção de um país solidário e fraterno a se mobilizarem para, entre outras medidas, levar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos a conduta do governo do Estado de São Paulo.

Isto é um imperativo ético e jurídico para que nunca mais brasileiros sejam submetidos a condições degradantes por ação do Estado.

1. Fábio Konder Comparato – Professor Titular da Faculdade de Direito da USP

2. Marcio Sotelo Felippe – Procurador do Estado – SP (Procurador Geral do Estado no período 1995-2000)

3.Hélio Bicudo – Procurador de Justiça – Ex-Presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos

4. Paulo Sérgio Pinheiro – Ex-Ministro de Estado Secretario de Direitos Humanos –

5. Associação Juízes para a Democracia (AJD)

6. Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM)

7. Celso Antonio Bandeira de Mello – Advogado – Professor PUC-SP

8. Alaor Caffé Alves – Professor Titular da Faculdade de Direito da USP

9. Sérgio Salomão Shecaira – Professor Titular da Faculdade de Direito da USP

10. Maurides Ribeiro – Professor da Faculdade de Direito de Campinas – FACAMP

11. Kenarik Boujikian Felippe – Desembargadora do Tribunal de Justiça – SP

12. Wálter Fanganiello Maierovitch – Desembargador do Tribunal de Justiça – SP

13. André Luiz Machado Castro – Presidente da Associação Nacional de Defensor Públicos e Coordenador-Geral da Associação Interamericana de Defensorias Públicas – AIDEF

14. Alexandre Morais da Rosa – Juiz de Direito (TJSC). Professor Adjunto UFSC

15. José Henrique Rodrigues Torres – Juiz de Direito – Presidente do Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia – Professor PUC Campinas

16. Marcelo Semer – Juiz de Direito – SP

17. Rubens Roberto Rebello Casara – Juiz de Direito – Professor IBMEC – RJ

18. Jorge Luiz Souto Maior – Juiz do Trabalho – Professor Livre- Docente USP

19. Dora Martins – Juiz de Direito – SP

20. José Damião de Lima Trindade – Procurador do Estado – Ex-Presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo

21. Fernando Mendonça – Juiz de Direito – MA

22. João Marcos Buch – Juiz de Direito – SC

23. Maria Eugênia R. Silva Telles – Advogada – SP

24. Pedro Abramovay – Professor FGV – Rio

25. Mauricio Andrade de Salles Brasil – Juiz de Direito – BA

26. Célia Regina Ody – Juíz Federal Substituta – MS

27. Gerivaldo Alves Neiva - Juiz de Direito – BA

28. Aton Fon Filho – Advogado

29. Jorge Fazendeiro de Oliveira –Advogado – SP

30. Pedro Estevam Serrano – Professor PUC – SP

31. Marcos Orioni Gonçalves Correia – Juiz Federal – Professor USP

32. Pierpaolo Bottini – Professor – Direito USP

33. Fernando Calmon – Defensor Público – DF

34. Carlos Eduardo Oliveira Dias – Juiz do Trabalho – Campinas

35. Ana Paula Alvarenga Martins – Juiz do Trabalho – Porto Ferreira

36. Julio José Araújo Junior – Juiz Federal – RJ

37. Fabio Prates da Fonseca – Juiz do Trabalho – Aparecida do Norte

38. Roberto Luiz Corcioli – Juiz de Direito – SP

39. Antonio Maffezoli – Defensor Público Interamericano

40. Anna Trota Yard – Promotora de Justiça – SP

41. Luiz Antonio Silva Bressane – Defensor Público – DF

42. Rodrigo Suzuki Cintra – Professor da Faculdade de Direito do Mackzenzie

43. Michel Pinheiro – Juiz de Direito – CE

44. Geraldo Majela Pessoa Tardelli – Diretor da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo

45. Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach – Procuradora do Estado – SP

46. Reginaldo Melhado – Juiz do Trabalho – PR

47. Inês do Amaral Buschel – Promotora de Justiça – SP

48. Marcelo de Aquino – Procurador do Estado – SP

49. Juvelino Strozake – Advogado

50. Marco Aurelio Cezarino Braga – Advogado – SP

51. Andrei Koerner – Professor UNICAMP

52. Alcides da Fonseca Neto, Juiz de Direito – RJ

53. Giane Ambrosio Alvares – Advogada

54. José Rodrigo Rodriguez – Professor – Direito – GV – São Paulo

55. Camilo Onoda Caldas – Professor da Universidade São Judas Tadeu (SP)

56. Silvio Luiz de Almeida – Doutor em Direito pela USP – Presidente do Instituto Luiz Gama (SP)

57. Rafael Bischof dos Santos – Professor da Faculdade de Direito da Universidade São Judas Tadeu (SP)

58. Aristeu Bertelli – Condepe – SP

59. Albérico Martins Gordinho – Advogado – SP

60. Cristiano Maronna – Advogado – SP – Diretor do IBCCRIM

61. Carlos Weis – Defensor Público – SP

62. Roberta Silva Aidar Franco – Delegada de Polícia (SP)

63. Luciana Silva Garcia, Advogada, Brasilia-DF

64. Leandro Gaspar Scalabrin, advogado, RS

65. Clara Silveira Belato, Advogada, RJ

66. Vinicius Gessolo de Oliveira, Advogado, PR

67. Lucia Maria Moraes, Professora da PUC/GO, Relatora do Direito à Moradia 2004 a 2009, GO

68. Mário Rui Aidar Franco, Delegado de Polícia, SP

69. Rafael Silva, Advogado, MA

70. Daniela Felix Teixeira, Advogada, Vice-Presidente da Advogados Sem Fronteiras , SC

71. João Paulo do Vale de Medeiros, professor da UERN, RN

72. Eduardo Alexandre Costa Corrêa, Advogado, MA

73. Felipe Bertasso Tobar, Advogado – SC

74. Luciana Bedeschi, Advogada, SP

75. Thiago Arcanjo Calheiros de Melo, Advogado, SP

76. Julio Cesar Donisete Santos de Souza, Assessor Jurídico MCTI, DF

77. Alexandre F. Mendes, Advogado, RJ

78. Manoel A. C. Andrade Jr., Urbanista, SC

79. Vinícius Magalhães Pinheiro, Professor universitário e advogado, SP

80. Márcio José de Souza Aguiar, Procurador Municipal, Fortaleza, CE

81. José Fabio Rodrigues Maciel, Advogado, SP

82. Maria Carolina Bissoto – Professora – PUC Campinas

83. Bernardo Luz Antunes, Advogado, RJ

84. Reinaldo Del Dotore – Bacharel – São Paulo

85. Francisco Martins de Sousa. Professor Universitário, CE

86. Gladstone Leonel da Silva Júnior, doutorando em Direito (UnB), Assessor da Relatoria Nacional de Direito à Terra da Plataforma DHESCA-Brasil, DF.

87. Glauco Pereira dos Santos, Advogado, São Paulo

88. Newton de Menezes Albuquerque, Prof de Direito da UFC e da UNIFOR, CE

89. Frederico Costa Miguel – ex-Delegado de Polícia – SP

90. Marcela Cristina Fogaça – Advogada – SP

91. Isabel Souza – Advogada – CE

92. Moacyr Miniussi Bertolino Neto

93. Mário Ferreira de Pragmácio Telles – Advogado – CE

94. Thiago Barison de Oliveira – Advogado – SP

95. Frederico Costa Miguel – Advogado – SP

96. Antonio Escrivão Filho – Advogado – DF

97. Vanderley Caixe Filho – Advogado – SP

98. João Paulo de Faria Santos – Advogado – Professor UniCEUB – DF

99. Conselho Federal de Psicologia

100. Roberto Rainha – Advogado – SP

101. Alessandra Carvalho – Advogada – SP

102. Nilcio Costa – Advogado – SP

103. Marcio Barreto – Advogado – SP

104. Maristela Monteiro Pereira – Advogada – Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Sorocaba/SP

105. Alexandra Xavier Figueiredo, Advogada, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG

106. Alexandre Trevizzano, advogado, SP

107. Miguel Chibani, Advogado - SP

108. Carolina Brognaro Poni Drummond de Alvarenga - Advogada – MG

109. Maria Rita Reis – Assessora Ministério Público Federal

110. Danilo D’Addio Chammas, advogado, membro da Comissão de
Direitos Humanos da OAB, MA

111. Claudiomar Bonfá, advogado, RO

112. Paloma Gomes, advogada, Distrito Federal.

113. Dominici Mororó, advogado, Olinda, PE

114. Cláudia Mendes de Ávila, Advogada ,RS

115. Patrick Mariano Gomes, advogado, Brasília/DF

116. Maria Betânia Nunes Pereira, advogada, AL

117. Marleide Ferreira Rocha, advogada, DF

118. Patricia Oliveira Gomes, advogada, CE

119. Jucimara Garcia Morais, advogada, MS

120. Juarez Cirino dos Santos, advogado, professor da UFPR, PR

121. Maurício Jorge Piragino – Diretor da Escola de Governo de São Paulo

122. Andreia Indalencio Rochi, advogada, PR

123. Danilo da Conceição Serejo Lopes, Estudante de Direito, MA

124. Marilda Bonassa Faria, advogada, São Paulo

125. Katia Regina Cezar, mestre em direito pela USP, SP

126. Danilo Uler Corregliano, Advogado, SP

127. Regiane de Moura Macedo, Advogada Sindicato Metroviários de SP, SP.

128. Rodolfo de Almeida Valente, Coordenação Jurídica da Pastoral Carcerária de São Paulo, SP

129. Juliana Pimenta Saleh, Advogada, SP

130. Helena de Souza Rocha – Advogada – PR

O manifesto está aberto à sociedade em geral. Para assiná-lo, CLIQUE AQUI


Pinheirinho - A história de Naji Nahas e Dona Maria from Passa Palavra on Vimeo.


"O vídeo trata das relações estabelecidas entre o dono do terreno onde ficava a ocupação Pinheirinho e o alto escalão dos poderes Executivo e Judiciário paulista, mostrando os interesses dos que executaram a desocupação violenta da comunidade"
lutapopular.org http://vimeo.com/35916962

sexta-feira, 9 de abril de 2010

TRAGÉDIA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO & FÓRUM SOCIAL URBANO MUNDIAL

 Abracei o desenho de Carlos Latuff no fórum social urbano mundial

 

 

Moradores de favelas de Niterói criticam omissão do poder público


Moradores de favelas, movimentos sociais e mandatos de parlamentares divulgaram nesta quinta-feira, dia 8 de abril, nota sobre a tragédia na cidade de Niteroi nos últimos dias. Já foram contabilizadas cerca de 100 vítimas fatais na cidade, a grande maioria era pobre. Para os moradores, a culpa principal não é das chuvas. Confira a nota.

Nota de esclarecimento
Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.
Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.
Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.
Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.
Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.
Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.
Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói
Associação de Moradores do Morro do Estado
Associação de Moradores do Morro da Chácara
SINDSPREV/RJ
SEPE – Niterói
SINTUFF
DCE-UFF
Mandato do vereador Renatinho (PSOL)
Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)
Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)
Movimento Direito pra Quem
Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares


DESDOBRAMENTOS ATUAIS - Por Jornal Fazendo Media.



Moradores de favelas de Niterói/RJ tomam o centro da cidade pelo direito à moradia


Moradores das favelas atingidas pelas chuvas em Niterói fazendo 
protesto contra o descaso do governo local. Foto: Léo Lima/ Favela em 
Foco
Moradores das favelas atingidas pelas chuvas em Niterói fazendo protesto contra o descaso do governo local. Foto: Léo Lima/ Favela em Foco

Na tarde de ontem, dia 15 de abril, cerca de 1500 pessoas ocuparam as ruas do centro de Niterói em manifestação pela garantia de moradia digna para a população pobre da cidade. O protesto Luto por Niterói foi organizado por moradores de 13 comunidades do município, além de sindicatos, movimento estudantil, organizações de defesa dos direitos humanos e mandatos populares reunidos no Comitê de Solidariedade e Mobilização das Favelas.

Vestidos de preto, portando cruzes, lírios brancos e velas, além de faixas e cartazes, os manifestantes caminharam até a sede da prefeitura municipal, onde tentaram apresentar uma pauta de reivindicações ao prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT). Uma comissão de dez representantes de comunidades foi recebida pelo secretário de governo, Michel Saad e outros secretários municipais, mas o prefeito não estava presente.

Em reunião fechada durante mais de duas horas, (a imprensa não pôde acompanhar, apenas fazer imagens) os moradores das favelas apresentaram aos representantes do poder público municipal a pauta de reivindicações do movimento. E também relataram as dificuldades pelas quais estão passando nas comunidades e bairros que mais sofreram desabamentos e alagamentos com as chuvas da semana passada.

Homem segurando cruz durante manifestação de moradores das favelas
 atingidas pelas chuvas em Niterói. Para cobrar providências do governo 
local. Foto: Thiago Carminati/ Favela em Foco
Homem segurando cruz durante manifestação de moradores das favelas atingidas pelas chuvas em Niterói. Para cobrar providências do governo local. Foto: Thiago Carminati/ Favela em Foco

Uma nova reunião ficou pré-agendada para a próxima semana, desta vez com a garantia dos secretários de que o prefeito estará presente. Conforme prometeram os representantes do executivo municipal, a data do encontro será confirmada ainda hoje.

“Eles tentaram nos enrolar para que o povo aqui em baixo fosse embora. Me surpreendeu muito a reunião porque eu não sei se havia desinformação ou muito cinismo, porque anotaram ponto a ponto o que relatamos que está acontecendo nesta cidade. É um governo que tem quatro mandatos em Niterói e não sabe onde estão os pontos críticos! Na próxima semana  estaremos aqui de novo, vamos dobrar o número de pessoas de hoje”, afirmou Isabel Firmino, moradora da comunidade da Barreirinha, uma das participantes da reunião com os representantes da administração municipal.

Sem perspectiva de saída dos alojamentos provisórios
Quarto da Casa de D. Sônia na rua Jerônimo Afonso, no bairro 
Caramujo coberta de lama. Até agora a defesa civil não foi vistoriar 
esta casa, o que deixa os moradores bastante aflitos. Foto:Fábio Caffé /
 Favela em Foco
Quarto da Casa de D. Sônia na rua Jerônimo Afonso, no bairro Caramujo, coberta de lama. Até agora a defesa civil não foi vistoriar esta casa, o que deixa os moradores bastante aflitos. Foto:Fábio Caffé / Favela em Foco

Niterói vive desde a semana passada uma tragédia que parece não ter fim próximo. Diante da catástrofe detonada pelas fortes chuvas, os moradores das regiões mais afetadas decidiram se unir no comitê de mobilização e solidariedade, que organizou o ato de ontem.  De acordo com os dados oficiais, 146 pessoas morreram na cidade e cerca de 7 mil estão desabrigadas.

O comitê denuncia que as pessoas desabrigadas não têm ainda nenhuma perspectiva de conseguirem uma moradia digna. O pagamento do aluguel social, prometido pela prefeitura, ainda não se tornou realidade, e as famílias continuam alojadas em escolas e igrejas, sobrevivendo basicamente de doações.

Entre as reivindicações entregues pelos manifestantes ao governo municipal estão “a apresentação de um plano imediato de moradia popular”, bem como a “ocupação de todos os imóveis desocupados”, a “inspeção imediata das áreas de risco”, e o fim das remoções compulsórias.

No percurso até a prefeitura, do alto do carro de som, um dos moradores chamou a atenção da população para um edifício vazio, à Rua da Conceição, uma das vias do coração da cidade. O imóvel serviu de exemplo para os manifestantes mostrarem que há prédios no município sem cumprir a função social, como determina a constituição, e que poderiam se tornar moradias.

“Mas eles[os representantes da prefeitura] mudaram a cara quando nós falamos que sabíamos que em Niterói há prédios vazios e que nós queremos esses prédios para nós morarmos e não para servirem à especulação imobiliária”, relatou Izabel.

Muitas histórias parecidas
Dona Dulcinéia dos Santos, de 62 anos, mancava durante a manifestação. O pé está enfaixado e ela contou que o machucou quando saiu correndo de casa, na madrugada do dia 6 de abril, quando as paredes da casa dela desabaram. Moradora da comunidade da Caixa D’agua, na região do bairro do Fonseca, Dona Dulcinéia vive desde o desastre em um Ciep. Cada uma das quatro pessoas que moravam na casa que desabou foi buscar abrigo em um lugar diferente. Com lágrimas nos olhos, ela falou que não sabe onde irá morar daqui em diante.

Sérgio Rocha de Jesus, morador do Morro do Estado que teve sua 
casa destruída em decorrências das chuvas da última semana em Niterói. 
Foto: Fábio Caffé/ Favela em Foco
Sérgio Rocha de Jesus, morador do Morro do Estado que teve sua casa destruída em decorrências das chuvas da última semana em Niterói. Foto: Fábio Caffé/ Favela em Foco

“Eu só queria um teto para dormir, porque desde que minha casa caiu eu não durmo direito. Tem muita gente lá no Brizolão [Ciep] e cada um tem seu jeito de ser, então é muito difícil”, expressou.
Durante a manifestação, muitas histórias como a de Dulcinéia foram contadas. Dona Hilma é moradora do Morro do Estado, no centro da cidade, e também está sem moradia.

“Minha casa está dependurada. No dia da tragédia eu saí cedo e estava tudo normal, quando voltei, já estava tudo no chão”, lembrou. Casas abaixo da de Dona Hilma desabaram e soterraram várias pessoas, três delas não sobreviveram.  Hilma está alojada na Associação dos Moradores do Morro do Estado e assim como Dulcinéia, não tem perspectivas de quando irá sair de lá e muito menos para onde ir.

Nas proximidades do Morro do Bumba, onde as buscas por corpos não terminaram e já foram contabilizadas 45 vítimas fatais, uma igreja evangélica abriga cerca de 70 pessoas. O pastor da igreja, Bruno Borges, participou da manifestação e contou que o poder público ainda é muito tímido na solução dos problemas dos desabrigados do Bumba. De acordo com ele, o apoio da prefeitura na forma de donativos só chegou quase uma semana depois da tragédia. Ele diz que as doações tem sido freqüentes por parte de pessoas solidárias e das igrejas.

Tragédia previsível
Casa a beira do abismo no Morro do Bumba. Foto: Paulo Barros/ 
Favela em Foco
Casa a beira do abismo no Morro do Bumba. Foto: Paulo Barros/ Favela em Foco

 “A prefeitura sabia que aquilo era um lixão. Eu era criança quando eu brinquei lá e estava sendo aterrado e eu já tenho 38 anos. Então todo mundo sabia. Porque colocaram iluminação lá? As pessoas pagavam IPTU, então por que deixaram as pessoas morarem lá?”, questionou Bruno Borges.

O pastor destacou que os moradores do Bumba não querem ser removidos para longe da região e já tem uma solução para continuarem morando no local. Ele disse que há uma garagem desativada, cujo espaço poderia ser utilizado para construção de prédios. “Cabe todo mundo e ainda sobra lugar. Se quiser, o prefeito faz, não precisa mandar ninguém para longe como estão dizendo que vão mandar lá para Guaxindiba, para Manilha”.

Para o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) também presente na manifestação, o que aconteceu em Niterói e também em comunidades do Rio de Janeiro, é conseqüência da falta de políticas públicas e de uma inversão de prioridades nas administrações.

“O que aconteceu no Morro do Bumba não foi culpa das chuvas e nem dos moradores que lá foram morar, porque as pessoas não tem opção. Se as prioridades do poder público fossem outras, esta tragédia poderia ter sido evitada. É inconcebível a existência de um conselho político em Niterói recebendo R$ 6 mil reais cada conselheiro. Se o prefeito quer conselho, peça a ele para visitar as favelas que lá tem opiniões muito preciosas para aconselhá-lo no que ele tem que fazer”, ironizou.

Menino em meio às velas que representam as mortes de moradores de 
diversas favelas de Niterói em protesto realizado em frente à 
prefeitura. Foto: Léo Lima / Favela em Foco
Menino em meio às velas que representam as mortes de moradores de diversas favelas de Niterói em protesto realizado em frente à prefeitura. Foto: Léo Lima / Favela em Foco

A professora da Faculdade de Arquitetura e coordenadora do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos – Nephu – da Universidade Federal Fluminense (UFF), Regina Bienenstain, afirmou, durante o ato, que as pessoas não precisam ser retiradas das favelas para viverem em segurança.

“Retira-se apenas as famílias que estão nos locais de risco e remenaja-se para dentro da própria favela e se promove a urbanização. Mas tem que ficar claro que urbanização não é só pavimentar ruas, é preciso colocar drenagem, que é o principal instrumento para evitar riscos, realizar saneamento ambiental,colocar água e rede de esgoto”, explicou.

Regina disse ainda que é preciso mapear áreas da cidade onde podem ser construídas novas moradias, e também, criar políticas de geração de emprego e renda, para que as pessoas possam garantir suas habitações.
“O Bumba é a manifestação do vazio de políticas com relação à habitação. Na verdade todos os municípios deveriam considerar todas as parcelas da população como um direito à cidade. O pobre acaba não tendo espaço nesta cidade porque a terra tem dono e o que sobra são as áreas que não deveriam estar ocupadas”, declarou.

Expediente modificado para não receber manifestantes
Funcionários da prefeitura afirmaram que no dia de ontem o expediente de trabalho no local terminou antes do que era o costume – às 15h, quando geralmente vai até 19h.  De acordo com os moradores que participaram da reunião com representantes do governo municipal, foi afirmado que o prefeito não esperou os manifestantes porque os “ânimos estavam exaltados” e, por conta disso, era melhor marcar uma reunião em outro dia.

O protesto, que começou antes de 16h e chegou à porta da prefeitura por volta de 17:30h, só terminou por volta de 21h, quando os representantes das comunidades desceram da reunião e repassaram as informações para os participantes do ato que ainda esperavam.

Apesar da tentativa de vários jornalistas, de diversas mídias, de obterem posições oficiais do executivo municipal acerca da reunião e outras informações, a prefeitura não falou com a imprensa até o final da manifestação.

Crianças acendem velas em protesto pelas vítimas das chuvas em 
Niterói. Foto: Thiago Carminati/ Favela em Foco
Crianças acendem velas em protesto pelas vítimas das chuvas em Niterói. Foto: Thiago Carminati/ Favela em Foco

Rolnik: Áreas de risco foram loteadas e povo paga com vidas

 
Esse ponto de vista que Raquel Rolnik expõe, de direito à cidade, foi exposto também no Fórum social urbano realizado paralelamente ao da ONU que ela é relatora especial.
Ela, juntamente com Ermínia Maricato e Miguel Baldez, estão nesta luta com os movimentos sociais por reforma urbana há muito tempo. Porém, este discurso para o Rio de Janeiro está vedado, apesar da aliança do PT com o PMDB, tanto no governo do Estado quanto na prefeitura do Rio de Janeiro, que têm como secretário de habitação o petista Jorge Bittar. Tanto o governador quanto o prefeito do Rio, são dois covardes que estão postos “de quatro” pela máfia que governa o Rio de Janeiro: midiático-militar. Estamos diante de uma militarização sistemática do urbanismo e das periferias urbanas em escala mundial. No Brasil, o Rio de Janeiro ocupa o centro para ser um modelo nacional. Além, é claro, em razão dos mega eventos que virão, o capital imobiliário e empreiteiros civis são os abutres que ocuparão o território depois das campanhas por remoções generalizadas. A mídia faz a artilharia que vai na frente produzindo a subjetivação necessária com seus exércitos de “especialistas” sádicos.
A relação de forças com essa mídia golpista, e cínica, no apoio aos conservadores do PMDB, inclui-se aí o ministro da integração Gedel, que concentrou toda a verba de defesa civil para sua campanha política na Bahia, não serão mencionados como responsáveis diretos nessas tragédias.
O que é vergonhoso é o PT se calar para não romper com a aliança eleitoral para se garantir a tal “governabilidade”. Enquanto isso…a periferia vai sendo alagada e soterrada com bolsa-família e tudo.
Por tudo isso que é necessário uma ruptura com esta podre elite carioca e brasileira.
O caso de Niterói, com o atual prefeito Jorge Roberto Silveira, populista histórico que governou o município várias vezes, é escandaloso. E ele ainda tem a cara de pau de dizer que não sabia de nada e que o caso é muito complexo e que pertence ao Brasil real.
Cabe então a pergunta: ele pertence a que Brasil?


Marcelo Freixo denunciou na alerj que Jorge Roberto Silveira criou um conselho municipal em que os conselheiros, que inclui o procurador do município e chefes de partidos aliados, ganham 6 mil reais por mês. O que fará ele com os milhões que receberá do governo federal para reparar suas irresponsabilidades?





















ENQUANTO ISSO...,O QUE VEM CORRENDO POR FORA NOS SURPREENDENDO?




O Império e o Sub-império
"Plano Colômbia" no Cone Sul: Brasil e EUA assinam acordo militar


(IAR Noticias) 08-Abril-2010









































A estratégia de controle militar atua como chave de sustentação da dominação econômica, política e social dos EUA na América Latina. Em consequência, qualquer investigação objetiva (e realista) sobre o processo de desenvolvimento da atividade militar e dos aparatos de segurança da América Latina produz invariavelmente a seguinte confirmação: os exércitos, a polícia e os serviços de inteligência dos países da região (exceto Cuba) mantêm (em vários estágios de desenvolvimento) relações de cooperação militar, treinamento, armamento e tecnologia com o Comando Sul dos EUA. Destes programas de inserção e, mais amplamente, da estratégia militar dos EUA, não estão isentos – paradoxalmente - os próprios países que hoje (pela direita e pela esquerda) criticam e rejeitam a instalação de novas bases militares dos EUA na Colômbia. Este quadro de subordinação é verificado, uma vez mais, com o acordo estratégico de cooperação militar que EUA e Brasil estão preparando para assinar, convertendo o gigante sulamericano numa virtual Colômbia do Cone Sul. Com o novo acordo estratégico, que será assinado na próxima segunda-feira, o Brasil reafirma sua aliança com Washington, aprofundando seu papel ativo de Sub-império regional comprometido ativamente com as hipóteses de controle militar da América Latina pelos EUA.



Por Manuel Freytas (*)










Brasil e EUA preparam-se para assinar na próxima segunda-feira um acordo de cooperação estratégica global na área de defesa, segundo fontes diplomáticas citadas pela BBC.

O texto do acordo está em fase de revisão final e espera-se que o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, viaje a Washington para assinar o documento juntamente com o secretário de Defesa estadunidense, Robert Gates.

Ainda que ambos os países venham sustentando acordos pontuais, no marco da guerra contra o "narcoterrorismo", este será o primeiro acordo estratégico entre os dois países na área de defesa desde 1977 – quando o Brasil cancelou unilateralmente um acordo militar com os EUA que datava de 1952.

Os dois Estados mantinham acordos setoriais na área de defesa, que incluía a venda de equipamentos e intercâmbios e participação em exercícios regulares entre suas Forças Armadas. O "mega" acordo que está para ser assinado cria um instrumento de cooperação estratégica global, não somente no marco da guerra contra o "narcoterrorismo", mas também nos planos mais amplos de defesa continental.

Os projetos de cooperação que serão implementados por ambos os países, ainda não definidos, mas é sabido que eles envolverão o treinamento, equipamento e desenvolvimento tecnológico e cooperação global (militar e policial) na área de defesa continental.

Do ponto de vista estratégico, operacional, e por sua magnitude e área de influência, o mega acordo de defesa traça as diretrizes de um novo "Plano Colômbia" para o Cone Sul.

No entanto, e para citar diferenças deste com o acordo com a Colômbia, o acordo estratégico com o Brasil não inclui instalações militares ou acesso especial a nenhuma das partes do território, nem qualquer tipo de imunidade para as tropas – por enquanto.

Mas, em sua essência, este é um acordo bilateral que introduz – funcional e operacionalmente – as forças armadas brasileiras nas hipóteses de conflitos regionais desenhadas pelo Pentágono e pela inteligência militar estadunidense, e que têm o Comando Sul dos EUA como campo de estruturação e aplicação estratégica.

Segundo fontes diplomáticas citadas pela BBC, o acordo já estava sendo discutido entre os dois países desde a administração republicana de George W. Bush. No entanto, foi nos últimos meses, com Obama, que tomou forma e desenho final.

A partir do ano 2000 o Pentágono começou a operar pelo meio do Comando Sul e do novo sistema de controle militar regional, através dos chamados pontos de operação avançada, denominada Forward Operation Location (FOL).

Esses pontos de operação militar, FOL, foram concebidos como centros de "mobilidade estratégica" e "utilização de força decisiva", nas guerras-relâmpago, com bases e tropas aerotransportadas de rápida mobilização.

Dessa maneira, na América Latina, a democracia de mercado estadunidense convive com uma série de bases e com a Quarta Frota, cuja missão é preservar a hegemonia militar estadunidense na região e cercar as grandes fontes de energia, água potável e biodiversidade, que no futuro poderão assegurar a sobrevivência do Império dos EUA.

Neste cenário estratégico, o Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), o articulador operacional da estratégia militar, inclui na sua "área de responsabilidade" 32 nações: 19 na América Central e América do Sul e 13 no Caribe.

Com o novo acordo estratégico, que será assinado na próxima segunda-feira, o Brasil reafirma sua aliança com Washington aprofundando seu papel ativo de Sub-império regional comprometido ativamente com as hipóteses de controle militar da América Latina pelos EUA.











"Plano Colômbia" do Cone Sul

Para a maioria dos especialistas, as operações repressivas desencadeadas contra os “bandos narco” em São Paulo representam o primeiro módulo experimental de "guerra contraterrorista" urbana no Cone Sul.

Na realidade - assinalam - e utilizando como pretexto a "guerra contra o narcotráfico", o exército brasileiro executa um exercício de controle de conflitos sociais que está contemplado no plano de "guerra contraterrorista global" no Cone Sul.
Além disso, tendo a "guerra contraterrorista" como marco, põe-se em prática um plano geopolítico estratégico com o qual Washington pretende confirmar seu domínio geo-político-militar sobre as estruturas econômicas e sobre os recursos naturais e de biodiversidade da região.

Água, gás, petróleo, biodiversidade e uma plataforma continental (a Amazônia), vitais à sua sobrevivência futura, se apresentam como os principais detonadores do plano de controle geopolítico-militar das "cinco fronteiras", desenvolvido por Washington sob o disfarce da "guerra contra o terrorismo".

A localização militar na tripla fronteira, que usa como argumento o "perigo terrorista", permite que o Comando Sul fique perto das cinco fronteiras (Colômbia, Equador, Peru, Brasil e Venezuela), onde se encontra uma gigantesca reserva de petróleo compartilhada.

No plano operacional da "guerra contraterrorista", o encarregado de realizar diagnósticos e propor políticas para a região é o Comando Sul, e não a Casa Branca ou do Departamento de Estado.

Os últimos documentos do Comando Sul dos EUA determinam que as "ameaças" atuais da região são o “terrorismo transnacional”, o “narcoterrorismo”, o tráfico ilícito, a falsificação e lavagem de dinheiro, o sequestro, as quadrilhas urbanas, os movimentos radicais, os desastres naturais e a migração massiva.

O principal objetivo, segundo esses documentos, é fazer com que "os aliados regionais (e seus exércitos) tenham capacidade e vontade" de participar de uma série de "operações combinadas", como ações antiterroristas, de intercepção marítima, operações de paz e ajuda humanitária.

Neste marco se enquadra a atual participação do exército brasileiro na "guerra contra o narcotráfico e o crime organizado", cujas operações estão sendo realizadas sistematicamente desde 2005 até hoje.





































Operacionalmente as ações que serão desenvolvidas na "guerra contraterrorista" buscam alinhar - mediante acordos de cooperação militar, tratados, treinamento e operações conjuntas - aos serviços de inteligência, policiais e exércitos regionais num plano estratégico de "combate ao narcoterrorismo e ao crime organizado", cujo eixo organizador e operacional centraliza-se no Comando Sul dos EUA (Plano contraterrorista).


No plano político e social, busca-se o alinhamento dos governos regionais em torno de um mesmo plano repressivo contra os conflitos sociais, cuja consigna aglutinadora é a de preservar a sociedade do “caos e da violência terrorista" das organizações sociais, dos sindicatos e dos partidos de esquerda que propõem e realizam greves, ocupações de fábricas ou de empresas, ou bloqueios de estradas (Plano de contenção de conflitos sociais).

No marco das alianças regionais contra o "terrorismo" o Comando Sul privilegia suas alianças regionais com os exércitos do Chile, em primeiro lugar, e do Brasil em segundo.

Discutindo o cenário da "guerra contra o terrorismo", o Exército do Brasil enviou 20.000 homens para suas fronteiras com a Venezuela (considerada pelo Comando Sul como o principal sustentador da "narcoguerrilha"), um número que dobrará nos próximos dois anos.

Além disso, o Comando Sul dos EUA tem instalado tanto no Chile como no Brasil um sistema de videoconferência que conecta em tempo real os estados maiores das três forças armadas. Este sistema tem também incorporado um programa de comunicação em tempo real criptografado para intercâmbio de informação sobre os movimentos de terroristas, do narcotráfico e do “crime organizado”.

Segundo seus documentos, o Comando Sul considera o exército brasileiro como um complemento estratégico do exército chileno no balanço regional de "combate ao terrorismo, às drogas e ao crime organizado".

Segundo os especialistas, neste sentido é preciso interpretar a operação e os objetivos subjacentes à "guerra contra o narcotráfico e o crime organizado", lançada em São Paulo por sete dias consecutivos.

A operação – afirmam – tem como objetivo central a implicação do exército brasileiro (como um primeiro módulo experimental do Cone Sul) no marco da "guerra contraterrorista" interna, com a consequente aplicação futura nos conflitos sociais projetados para a região.

Na realidade, e utilizando como desculpa a "guerra contra os bandos do narcotráfico e do crime organizado", o exército brasileiro e a polícia brasileira estão executando em São Paulo um plano de controle de conflitos sociais que está contemplado no plano global de "guerra contraterrorista" de baixa intensidade no Cone Sul.

O novo acordo Brasil-EUA a ser assinado na segunda-feira aprofunda e amplia o marco global de integração das forças armadas e da polícia brasileira no dispositivo militar de domínio e controle dos EUA na América Latina.


(*) Manuel Freytas é jornalista, pesquisador, analista de estruturas de poder, especialista em inteligência e comunicação estratégica. É um dos autores mais difundidos e referenciados na Web na área. Veja seus trabalhos no Google e em IAR Noticia

(Traduzido por Roberta Moratori)



Por Mauro Santayana

Com todas as explicações, incluídas as do Itamaraty, em nota oficial, é inconveniente o Acordo Militar que o Brasil está pronto a assinar com os Estados Unidos. Podemos firmar acordos semelhantes com países que podem comparar-se ao nosso, mas não com aquela república. É lamentável que esse tratado seja negociado pelo atual governo.

Segundo a imprensa internacional, prevê-se a instalação de uma base norte-americana no Brasil. A última base americana em nosso chão se limitava ao acompanhamento dos primeiros satélites artificiais, em Fernando Noronha. Ela foi discretamente fechada em 1961, por iniciativa de Tancredo que, como primeiro-ministro, negou-se a prorrogar o convênio, sob o argumento de que ainda não obtivera a opinião das Forças Armadas. Geisel, em 1977, em pleno regime ditatorial, denunciou o Tratado Militar que tínhamos com Washington, e fora renovado em 1952, por iniciativa de João Neves da Fontoura, contra a opinião do ministro da Guerra de então, o general Estillac Leal – que se demitiu como protesto. É da restauração paulatina desse antigo Tratado que se trata.

Antes houve a base de Natal, no esforço comum da guerra contra a Alemanha nazista. Terminado o conflito, em 1945, Getúlio agradeceu muito a contribuição norte-americana e, mesmo com as pressões ianques a fim de manter o enclave militar, dispensou-os desse cuidado. Não havia necessidade de tanto dispêndio para a nossa hipotética proteção.

O fato é que as negociações para a instalação de uma base norte-americana no Brasil, para o combate às drogas, foram anunciadas, em Quito, pelo subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, e repercutiram no exterior, em que pesem os desmentidos do Brasil. Apesar de sua cuidadosa linguagem diplomática, a nota oficial do Itamaraty não é suficiente para afastar as dúvidas: trata, em termos vagos e genéricos da “cooperação em assuntos da defesa” e intercâmbio no treinamento militar. Nós conhecemos essa antiga canção, que nos remete ao centro de doutrinamento ideológico do Panamá. Ali muitos de nossos oficiais foram moldados para a submissão aos interesses norte-americanos, em nome da divisão do mundo entre os bons (os ianques) e os maus (quaisquer outros que contestassem a sua hegemonia). Foram alguns deles, com Castello Branco, Lincoln Gordon, Vernon Walters, a Quarta Frota e a CIA, que fizeram o golpe de 1964.

Os vizinhos sul-americanos – e os parceiros do Bric – se inquietam, e com razão. Eles têm contado com a firmeza do Brasil em defender a soberania de nossos países contra qualquer presença militar estrangeira no continente, como ocorreu no caso da Colômbia. A mesma firmeza deveremos ter se, amanhã, a Venezuela aceitar bases russas em seu território, ainda que a pretexto de se defender de ameaça na fronteira.

Acordos dessa natureza devem ser discutidos, previamente, com a sociedade e com o Congresso. Doutor Rosinha, deputado do PT do Paraná, membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, estranha que seu órgão não tenha sido informado do andamento do processo de negociações, cuja iniciativa é debitada ao Ministério da Defesa.

Conviria ao ministro Nelson Jobim poupar-se de outro escolho biográfico – ele que deles anda bem servido – e explicar sua posição no episódio. A reação, no Congresso, é de perplexidade. É quase certo que o Poder Legislativo negue ratificação ao Tratado. Quando se estabelecem acordos de cooperação de defesa militar, pressupõe-se que haja inimigos comuns, a serem eventualmente combatidos. Não sabemos de que inimigos se trata. Certamente não serão a China, a Índia, nem a Rússia, nossos aliados estratégicos no Bric, e tampouco a Bolívia ou a Venezuela, bons vizinhos. É inadmissível pensar que venha a ser o distante Irã. Provavelmente, um dos interesses seja sabotar os nossos entendimentos com os parceiros do Bric, e da Unasul, que nos fortalecem no mundo.

Esse Tratado compromete o futuro do país e tem um motivo estratégico maior por parte de Washington, ainda que bem dissimulado e a prazo mais longo: o controle da Amazônia e a reconquista do poder colonial sobre o continente.
08/04/2010

 






Mauro Santayana: os negócios e a soberania

Por Redação do Fazendo Media, 15.04.2010

O ministro Nelson Jobim, sem que o Congresso e o povo fossem ouvidos, assinou, em Washington, tratado militar com os Estados Unidos. O objetivo é restaurar o acordo que existia antes e que o general Geisel rompeu em 1977. O governo cometeu erro político de que se dará conta no futuro…
 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

UM OUTRO LADO DAS POTENCIALIDADES DO RIO DE JANEIRO

 

Movimentos sociais e organizações do Rio de Janeiro convidam para o Fórum Social Urbano

favela-morumbi-sao-paulo
Nos bairros e no mundo, em luta pelo direito à cidade, pela democracia e justiça urbanas
22 – 26 março de 2010
Rio de Janeiro, Brasil

Em março de 2010, a cidade do Rio de Janeiro irá receber o V Fórum Urbano Mundial, organizado pela ONU. Espera-se que o encontro reúna cerca de 50 mil pessoas de todo o mundo. Em suas várias edições, esse evento tem sido incapaz de abrir espaço àqueles que resistem à lógica implacável da cidade-empresa e da cidade-mercadoria.

Por isso, os movimentos sociais, organizações e militantes que lutam por uma cidade mais igualitária, justa e democrática, vimos convidar a todos para construir coletivamente o Fórum Social Urbano.

O Fórum será realizado no Centro Cultural da Ação da Cidadania Contra a Fome, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, localizado a 300 metros do evento oficial (VEJA O MAPA). A proposta é criar um espaço paralelo onde participantes do Brasil e do mundo possam trocar suas experiências. Em época de preparação para as Olimpíadas no Rio de Janeiro e para a Copa do Mundo em 12 capitais do país, a programação do Fórum Social Urbano (FSU) pretende questionar a falta de participação popular nas decisões sobre os rumos das cidades e debater de forma ampla os principais problemas vividos nos centros urbanos.


As discussões nas plenárias preparatórias para o Fórum apontaram 4 eixos de estruturação dos debates :

- Criminalização da Pobreza e Violências Urbanas
- Megaeventos e a Globalização das Cidades
- Justiça Ambiental na Cidade
- Grandes Projetos Urbanos, Áreas Centrais e Portuárias



Além dos debates, o Fórum pretende ser um espaço efetivo de experimentação de outra forma de viver a cidade, mais democrática e mais diversa: visitas em grupo à cidade para além dos cartões-postais, manifestações artísticas, exposições, plenárias, fóruns de articulação, projeções e exibições de filmes , dentre outras atividades.



CONVIDAMOS A TODOS PARA CONTRIBUÍREM COM PROPOSTAS DE ATIVIDADES AUTOGESTIONADAS.

A inscrição de atividades deve ser feita através do preenchimento do formulário 


Envie sua proposta até o dia 7 de março para: programacaofsu@gmail.com
A Comissão de Programação buscará contemplar todas as propostas recebidas, dentro dos limites de espaço e tempo disponíveis.

– Para mais informações, escreva para comunicacaofsu@gmail.com

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

IMPRENSA ALTERNATIVA NO RIO DE JANEIRO: RESISTÊNCIA À DESINFORMAÇÃO IMPOSTA PELO MONOPÓLIO DA COMUNICAÇÃO NO BRASIL

Maré de Notícias
Por Rosilene Miliotti
Criado como uma alternativa de comunicação para a favela da Maré, o jornal Maré de Notícias já está em sua terceira edição. A proposta é aumentar o fluxo de informações de qualidade entre os moradores e ser uma alternativa aos veículos  de comunicação tradicionais, que em geral retratam a Maré e demais favelas apenas de forma negativa e enfatizando a violência. A diretora da Redes de Desenvolvimento da Maré, instituição promotora do jornal, Fernanda Gomes, conta que “a proposta da instituição foi de construir esse projeto da forma mais participativa possível. Nesse sentido, foram convidadas diferentes instituições da Maré para pensarmos juntos a linha editorial do jornal”. A iniciativa permitiu que já na primeira edição o jornal contasse com a
parceria do Observatório de Favelas e o Apoio de outras seis instituições da Maré.

Após consolidar a parceria, foi realizada uma pesquisa de opinião em todas as 16 comunidades da Maré para saber o que os moradores gostariam de ler no jornal. A pesquisa "Por um Jornal da Maré: diga como você quer!" ouviu 2.300 moradores, o que corresponde a 2,5% da população do bairro e concluiu que nove em cada dez moradores da Maré tem o hábito de ler e 36% leem jornal diariamente, sendo o Meia Hora, o Extra e O Dia os jornais preferidos.
O estudo também mostrou que os moradores desejam ler reportagens sobre o próprio bairro, oferta de cursos, esporte, saúde, cultura, infraestrutura urbana, educação e projetos sociais. O tema “segurança pública, polícia e violência” aparece em 12º lugar na preferência do morador. A pesquisa está publicada na primeira edição do jornal.


Aproximando os moradores
Com o objetivo de aproximar ainda mais os moradores, a primeira edição foi lançada no fim do ano passado com o concurso cultural “Por um jornal da Maré diga o nome que você quer”!, para que os moradores pudessem escolher o nome do jornal. Durante 30 dias, mais de 500 pessoas deram sugestões nas urnas itinerantes que circularam toda a Maré e ainda pela internet. O vencedor do concurso, um adolescente morador da comunidade Nova Holanda, foi premiado com um computador. O nome escolhido, Maré de Notícias, foi divulgado na terceira edição, que está sendo lançada hoje, 24 de fevereiro.

“Todo esse processo participativo foi empreendido para que o novo veículo de comunicação da Maré correspondesse aos anseios dos moradores do bairro”, conta Fernanda que também explica que o jornal se insere em um projeto mais amplo de transformação e melhoria da qualidade de vida. “Na medida em que o jornal mobiliza a população para a reflexão da realidade local, garante a ampliação do debate para o conjunto da cidade”, explica.

O jornal Maré de Notícias tem tiragem de 30 mil exemplares, é mensal e é distribuído gratuitamente em toda a comunidade. Jornalistas de outros veículos de comunicação como Anabela Paiva, do CESeC, Flávia Oliveira e Aydano André Motta, jornalistas do jornal O Globo colaboram com a produção do jornal.

Acesse o blog do jornal Maré de Notícias

PDF - Maré de Notícias – edição nº 1

PDF - Maré de Notícias – edição nº 2

PDF - Maré de Notícias – edição nº 3



OBSERVATÓRIO DE FAVELAS RJ

Editorial - 24/02/2010 16:10

 

Que segurança queremos



Na noite da quarta-feira de cinzas, no pós carnaval carioca, o jovem Marcílio de Souza Silva, de 24 anos, foi assassinado. Segundo um primo que estava junto, eles estavam em uma motocicleta e foram abordados por policiais próximo à favela Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Eles teriam sido levados pelos policiais para um posto desativado da polícia em Parada de Lucas.

Marcílio e o primo, após terem dinheiro, celulares e documentos supostamente roubados pelos policiais, teriam sido torturados e foram obrigados pelos policias a entrarem na favela, e teriam sido recebidos com tiros por traficantes. Ao voltarem, foram cercados pelos policiais. Marcílio teria sido capturado e o primo conseguiu fugir e se escondeu no mato. Marcílio foi encontrado na manhã de quinta-feira, dia 18 de fevereiro, na Rua Guarupá, na Penha, com as mãos amarradas, em posição fetal e com dois tiros na cabeça.Os dois jovens eram moradores da Cidade de Deus, favela localizada na Zona Oeste da cidade do Rio.

Os quatro policiais envolvidos disseram que abordaram os jovens mas que os liberaram logo em seguida. No entanto, o GPS de uma das viaturas verificadas mostrou que o veículo passou pelo local onde o corpo do jovem foi encontrado às 21h.

Na sexta-feira, 19 de fevereiro, na favela Cidade de Deus, o adolescente Reinaldo Francisco dos Santos Silva, de 13 anos, foi encontrado morto a pauladas, num matagal na favela. Parentes do garoto afirmam que ele foi seqüestrado por policiais e levado para o interior da favela no final da manhã de sexta-feira.

Os policiais negam envolvimento e afirmam que o garoto pode ter sido executado em acerto de contas com traficantes de drogas. Ironicamente, na Cidade de Deus está instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), e desde então, o tráfico teria sido expulso do local pelas forças de segurança.

Dias antes, no dia 9 de fevereiro, o jornal O Globo divulgava dados disponibilizados pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ), e estampava que a taxa de homicídios no Estado havia caído, apresentando o menor índice dos últimos dez anos. Embora o índice tenha caído, o número de mortes aumentou de 5.717 para 5.794. E a queda na verdade foi apenas uma oscilação de 0,1%, nada significativo. Ainda se levarmos em conta os dados populacionais do IBGE, órgão responsável pelo censo demográfico no país, o índice oscila para cima: vai de 36 em 2008 para 36,2 em 2009.

Como lembra a antropóloga Ana Paula Miranda em seu blog, a cobertura do tema da segurança pública “deveria ser alvo de uma atenção mais cuidadosa e menos marcada por interesses privados”. Se compararmos os números absolutos com o Estado de São Paulo, com mais do dobro da população do Rio de Janeiro, vemos que os números são bem menores. Em São Paulo foram mortos 4.557 pessoas, enquanto no Rio 5.794 perderam suas vidas. Se compararmos a taxa de homicídios, São Paulo apresenta 10,9 mortos por cem mil habitantes. No Rio a taxa é de 34,6. A média nacional é de aproximadamente 24 mil mortes por cem mil habitantes.

Além da taxa de homicídios, as mortes também são computadas como autos de resistência – mortes de civis em confronto com a polícia –, lesão corporal seguida de morte, homicídio culposo, encontro de cadáver e de ossada e policiais mortos em serviço.

Mais do que questionar uma oscilação de queda de 0,1% - ou de aumento de 0,2% – na taxa de homidícios, é preciso pensar – e repensar – a ação da segurança pública e do alto índice de óbitos no Estado do Rio de Janeiro. Casos como o do caixa de farmácia Marcílio e do adolescente Reinaldo têm se tornado recorrentes na capital carioca. Uma política que se baseie no confronto e no desrespeito à vida já se mostrou, na prática, fadada ao fracasso.

Complementando:

Disponibilizamos uma lista de fontes alternativas de informação a partir das indicações dos leitores. Esperamos que possa ser útil para todos e que possam reenviá-las para outras listas.

Informar-nos melhor é condição de compreendermos melhor a realidade e podermos intervir de forma mais profunda e radical para a construção do outro mundo possível que buscamos.

Sites indicados pelos leitores

www.fazendomedia.com

www.correiocidadania.com.br

www.sinpermiso.info

www.rebelion.org

www.telesurtv.net

www.resistir.info

www.reporterbrasil.org.br

http://linhasnomades.zip.net

www.diariogauche.zip.net

www.rsurgente.zip.net

www.adital.org.br

www.imprensamarrom.com.br

www.franklinmartins.com.br

http://terramagazine.terra.com.br

www.novae.inf.br

http://viomundo.globo.com/

http://www.lainsignia.org/

http://www.tie-brasil.org/noticias.php

http://www.zerofora.hpg.ig.com.br/

http://www.herramienta.com.ar/

http://www.afyl.org/articulos.html

Centro de Estudos Sociais Laboratório Associado Faculdade de Economia - Universidade de Coimbra - http://www.ces.fe.uc.pt

CUBA Debate - http://www.cubadebate.cu

Núcleo de Estudos do Futuro - http://www.nef.org.br

RedMarx - www.redmarx.net

Voltaire.net - http://www.voltairenet.org/pt

GRANMA – português - www.granma.cu/portugues/index.html

Observatório Latino Americano - http://www.ola.cse.ufsc.br

Alfarrábio - Paulo Bicarato – http://www.alfarrabio.org

Noam Chomsky - http://www.chomsky.info

Esquerda NET - http://www.esquerda.net

Agência Bolivariana de Notícias - http://www.abn.info.ve

HTTP://ENGLISH.ALJAZEERA.NET

www.anovademocracia.com.br

www.fpa.org.br

www.monthlyreview.org/

Marxists Internet Archive - http://www.marxists.org/

Revista Espaço Acadêmico (REA) - http://www.espacoacademico.com.br/

Journal of World-Systems Research - http://jwsr.ucr.edu/index.php

Socialist Register - http://socialistregister.com/

Socialist Worker - http://www.socialistworker.org/

World Socialist Web Site - http://www.wsws.org/

Revista Sem Terra - http://www.mst.org.br/mst/revista.php?ed=32

Jornal Sem Terra - http://www.mst.org.br/mst/jornal.php?ed=33

Revista Crítica Marxista - http://www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/
http://www.portside.org/

www.abcdmaior.com.br

http://rascunho.ondarpc.com.br

www.cecac.org.br

www.letraselutas.com.br

www.revistadobrasil.net

www.bahiadefato.com.br

www.novojornal.com.br

www.aporrea.org

www.rits.org.br

www.radiocom.org.br

www.ansa.it/ansalatinabr

www.horadopovo.com.br

www.expressaopopular.com.br

www.vermelho.org.br

www.diplo.com.br

BLOGS

http://blogdobourdoukan.blogspot.com (Georges Bourdoukan, colunista da Caros Amigos)

www.blogdogadelha.blogspot.com

www.blogentrelinhas.blogspot.com

http://blogdokayser.blogspot.com/

http://blog.contrapauta.com.br/

http://www.blogdoonipresente.blogspot.com/

Bombordo - http://www.verbeat.org/blogs/bombordo

Blog do IBASE - http://www.ibase.br/blog/index.php

http://edu.guim.blog.uol.com.br

www.mercado-global.blogspot.com

Blog de Antonio Ozaí (REA) - http://antoniozai.blog.uol.com.br/
(OBS: é preciso solicitar a inscrição pelo e-mail antoniozai@gmail.com)

http://fastosenefastos.blogspot.com/

http://blog-do-robson-camara.blogspot.com

http://www.votolula.blogspot.com

http://blogdodirceu.blig.ig.com.br/

http://www.naperiferiadoimperio.blogspot.com/

http://blogdomino.blig.ig.com.br

http://conversa-afiada.ig.com.br
Fonte: Blog do Emir – www.cartamaior.com.br – 03/03/2007


Por
Sindsprev da Redação. do Sindsprev/PE.